Publicado por: celiamota em: 27/02/2011
Você vem de uma geração de submissos. Levou broncas dos pais e agora as leva dos filhos. Deixa que a vida te leve, literalmente. Elege políticos corruptos e depois assiste, pela TV, suas performances na distribuição dos “mensalões”, dinheiro na cueca, no panetone… Tem todas as provas de que foi enganado, continua sendo, e seu único comentário é: “Isso é Brasil”. Como se não tivesse nada com “isso”.
Ouve desaforos no trânsito e segue em frente com o “sapo” entalado na garganta. Não quer ter que discutir e perder a hora do trabalho. Pouco se importa com a situação da saúde pública, escola pública ou pavimentação das vias públicas, afinal, ainda pode pagar por educação privada, convênio médico e seguro-auto (aquele que tira seu carro de qualquer buraco).
Egoísta e burro. Não se trata de pensar na maioria, que não tem como arcar com o particular, mas sim, em si próprio. Sua comodidade ou resignação te impede de perceber o prejuízo que é pagar pelos mesmos serviços duas vezes. Escravo do salário fixo e dos financiamentos no banco!
Seu histórico de covardia é muito extenso. Desde o colégio que é um frustrado. Sempre deixava o colega folgado levar o crédito pelo trabalho que você fez sozinho. Os mais velhos apontam, a todo momento, o quanto sua geração é fraca. Se comparados aos estudantes que se organizaram e protestaram contra a ditadura militar, são uns bostas. Mas isso não te incomoda, na verdade nem mexe com seus brios! Você sempre permanece de braços cruzados e cara de paisagem diante dos problemas.
Mas, finalmente, hoje aconteceu algo incomum. Olhando no espelho, você se viu como realmente é. Reconhece o quanto se tornou acomodado e medroso. Mas nada fez para mudar. Continua andando a passos leves, sem fazer ruído, para não acordar o bom senso e a indignação. Se borra de medo só de pensar em arregaçar as mangas e ir à luta por um mundo mais justo.
Você é membro operacional dessa geração de masoquistas. De quem é a culpa, dos seus pais? NÃO. A culpa é toda sua! Desde que ouviu Renato Russo pela primeira vez, achou bonito se fazer de melancólico e entediado, era cult. Advinha: Renato Russo já morreu faz tempo! E agora, quem é o babaca da vez (…)?
27/02/2011 às 12:12
Boa, Célia. Ter dinheiro, poder de compra não tem nenhuma relação positiva com mobilização política e consciência de nossa condição social, política, humana. Ao contrário, o “poder ter, poder comprar” pode mesmo nos afastar da vontade de observar essas questões. Concordo com vc, somos bichos preguiçosos consumindo. Mas há quem diga que existe algum benefício nisso.
27/02/2011 às 16:20
Poder comprar é sempre bom, Meiry. O grande problema é no quê essa condição de cidadão classe média está nos transformando. Aceitamos quase tudo em troca de um sossego que não deveria nos calar, mas cala. Como diz a música; “Qual a paz que eu não quero conservar para tentar ser feliz?” Com certeza somos o tipo de eleitores perfeitos, pois a classe baixa troca votos pela bolsa-família e a classe média, por promessas infundadas, ou já nem vota mais, fugindo da responsabilidade de mudar, melhorar.